"Um ser semi-divino quase destrói a
humanidade; Em um último sacrifício 5 anciões sacrificam suas vidas e regressam
aquele ser a um bebê sem memória e inofensivo; Passados 200 anos de hibernação,
aquele ser agora deverá ajudar em uma guerra para pagar pelos seus pecados de séculos
atrás"
A TV na sala anunciava a estreia do
filme chamado ‘Sorcery Gardna’ para as nove horas daquela noite, sendo a
primeira sessão uma exibição exclusiva para convidados no principal cinema de
San Sebastian. Da varanda, um homem ruivo, que havia acordado atrasado,
terminava de vestir seu terno branco por cima de uma camisa florida enquanto
olhava para o sol que acabava de nascer no mar.
-Ahn, que saco...Eu não tinha que
acordar tão cedo há anos. . .
5 anos após a grande batalha contra
Lúcio, Kamuiya agora possuía cabelos compridos passando dos ombros, que ele
deixou crescer em homenagem ao falecido amigo. O blend, que ao mesmo tempo era
o Rei dos Demônios e novo líder da OTAM, não morava mais na sede do grupo de
extermínio, pois não aguentava o frio do inferno do norte. Ele, que sempre amou
o clima tropical, agora morava em uma bela casa de frente para praia, na cidade
chamada Nirvana.
Aquela metrópole emergente foi criada há
pouco mais de 3 anos, e se expandia rapidamente pelo território costeiro do
inferno do leste, o antigo reino de Behemoth....O lugar onde ele e Rachel se
beijaram pela primeira vez.
Agora que Kamuiya era o Rei dos demônios
e as duas raças estavam em paz, a civilização pôde se expandir para as terras
outrora inexploradas. A mão de obra dos demônios ajudou a erguer grandes
cidades em pouquíssimo tempo. Nirvana era a maior delas, com praias
paradisíacas e resorts luxuosos. Muitas outras cidades também prosperavam pelas
terras outrora dominadas por monstros, como a insular Zion no inferno do sul,
que tinha o antigo veterano do CFDE Jah como seu governante.
Teoricamente Kamuiya era o rei de todos
os 4 continentes infernais, mas é claro que o mesmo não tinha a menor paciência
para administrar seu reino, então delegou essa tarefa aos seus paladinos
Rasputin e Itzanma. Quanto aos povoados humanos, Kamuiya deixava que a própria
população local escolhesse seus líderes, como cidades-estado.
Então, sendo apenas uma figura
representativa de autoridade, Kamuiya teoricamente podia viver uma vida
despreocupada...
Teoricamente.
-Frankie? Você deixou os ingressos
separados?
-S-sim – respondeu a bela mulher de
cabelos curtos.- Estão os 3 na minha
bolsa.
-E não vai esquecer a bolsa! Da última
vez que saímos pra viajar, você deixou as malas em casa!
-N-não estou acostumada a viajar com
bagagem! Eu só precisava dos meus punhos pra matar demônios. . .
Quem havia conhecido a antiga Frankie, a
‘princesa genocida’, uma verdadeira máquina de combate desprovida de
sentimentos, jamais acreditaria que atualmente ela estaria vivendo
pacificamente como uma dona de casa. Apesar de ter sido muito útil apaziguando
o clima adverso para que as regiões dos ‘infernos’ pudessem ser habitadas por
anjos e humanos, a principada agora se dedicava a cuidar do lar.
Seu vestido de noiva, manchado com o
sangue de seus alvos, foi substituído por um meigo avental doméstico. A moça
terminava de recolher a louça do café de manhã que havia preparado para um
atrasado Kamuiya.
-Certo, me esperem as 8h, 8 e meia no
píer de Santa Glória.
-Tem certeza que vai chegar a tempo? Por
que não adiar esse seu ‘compromisso’ para outro dia?
-Sem chance, não vou viajar para San
Sebastian duas vezes. Todos meus amigos também foram convidados para a estreia
então vou resolver tudo em um dia só. – Kamuiya não era muito de ir no cinema,
mas como o roteirista do filme era um grande amigo, ele não poderia deixar de
prestigiar a obra.
- Eu. . . Eu poderia te ajudar a
resolver isso. . . Minha força continua
a mesma.
- Com certeza. Mas você ainda não
entende bem os sentimentos humanos, não é Frankie. Se alguém vai fazer isso. .
.Tem que ser eles. – o olhar de Kamuiya mudou para um tom de determinação, como
se uma batalha decisiva o aguardasse – Muito bem, o jatinho está me esperando,
vejo vocês mais tarde.
. . .
A aeronave particular de Kamuiya decolou
de Nirvana, com destino á San Sebastian. Previsão de chegada: meio-dia.
A importância daquele compromisso para o
qual ele se dirigia era tamanho que ele até perdeu o sono. Mas no momento, ele
podia fazer nada além de esperar o avião completar seu percurso. O rapaz
poderia voar mais rápido com seu dragão de luz, mas ele precisava poupar
energia. . . Para o que estava por vir.
Uma vez que não havia nada de
interessante para ver pela janela além o oceano infindável, Kamuiya passava o
tempo folheando revistas oferecidas pela companhia aérea. Uma págian porém o chamou a atenção. Em uma
propaganda de perfume, uma linda mulher de franja e cabelos rosas posava de
lingerie.
- Essa maldita! Criou a maior confusão
porque eu vi a calcinha dela na escola. . . . - Aquela não era ninguém menos
que Euryale, que havia se tornado uma famosa modelo! – E agora está mostrando
pra todo mundo!
Euryale não foi a única veterana do CFDE
que deixou para trás os dias de luta e se estabeleceu em outra carreira. O já citado Jah governava a cidade de Zion, Carlos
transformou San Sebastian em um local seguro ao assumir como chefe de polícia,
Alice seguia cuidado da Real Biblioteca de San Mikael. . . Apesar de que nós
últimos anos ela esteve evolvida em um projeto extremamente importante.
Abaixo de San Sebastian existiam
gigantescas catacumbas, deixadas para trás por uma civilização antiga.
Reveladas pela destruição causada na luta contra Legião, as ruínas foram
exploradas e estudadas pelo arqueólogo Jason, que conseguiu determinar a época
em que foram construídas: Mais de dez mil anos atrás.
-Isso é mais antigo do que a passagem da
Physis! – o arqueólogo estava surpreso – Mas este lugar não pode ter sido
criado por seres humanos normais! A menos que. . .
-Eles não eram normais. Ao que tudo
indica. . . – Alice havia sido chamada
para pesquisar os manuscritos encontrados nas catacumbas e traduzir a linguagem
daquela civilização até então desconhecida. – A Physis é um evento cíclico cujo
orbita passa pelo planeta a cada dezenas de milhares de anos. Nessa passagem,
ela nos transformou em anjos e demônios. . . Na anterior, ela transformou os
ancestrais desse povo em uma raça conhecida por. . . “Elohim”, eu acho.
-Você não tem certeza? – Jason percebeu
que a moça ainda tinha dificuldade de entender o significado de algumas letras
-Isso aqui não é uma ciência exata. . .
Estou comparando a linguagem com as escritas cuneiformes quase pré-históricas e
tentando identificar as vogais pela frequência que se repetem nas palavras.
- Mas, mais intrigante que o nome da
raça, é o tipo de poder que eles usavam. Ao invés de elementos, aqui diz que
eram ‘Virtudes’. Eu nem consigo imaginar que tipo de poder era. . .
Apesar de ainda haver muito o que
descobrir sobre a antiga civilização dos Elohim, aquelas explorações trouxeram
revelações importantes para o entendimento do mundo atual. Aquela raça
encontrou seu fim graças a um evento de extinção em massa desencadeado por uma
certa fonte de energia por eles criada. Um artefato circular dourado, que
outrora foi dividido em 4 partes reunidas novamente por um certo blend. Nos textos
antigos, ela era chamada de ‘Dunamis’- a “Força de Deus”. Mas na era atual ela
era conhecida como. . .
‘A Auréola de Satanel!’
Então aquele objeto não era parte do
corpo do antigo Rei dos Demônios! Isso explicava como ele continuou existindo
após sua morte, e acima de tudo,
respondia uma questão que intrigava os pesquisadores de demônios mundo afora.
Se para um Kakudaimon se tornar um
Eudaimon, era necessário consumir a carne de um deles. . . Então como surgiu o primeiro Eudaimon?
A Dunamis era a resposta. De alguma
forma, o então Kakudaimon Satanel encontrou aquela fonte de energia e a
engoliu. Aquilo lhe deu poder para romper todos os limites imagináveis e
alcançar um novo nível de evolução, assim como deu aos demônios que também
evoluíram ao consumir sua carne o dom de controlar novos elementos – Sangue,
Metal, Luz Ultravioleta, Vidro, Vácuo e Poeira Estelar. Da mesma forma, ao ser
alimentada com a carne de Ziz, Behemoth e Leviathan, a pequena criatura chamada
Lilith desenvolveu o controle do elemento Psiqué – enquanto seu filho Bael
adquiriu o Arqué pela herança genética.
O artefato parecia ter se afeiçoado a
Satanel, e quando ele morreu, procurou outros kakudaimon com o nível de força
parecido com o do antigo rei. Eventualmente, a Dunamis foi usada para energizar
a Physis reversa criada por Lúcio, que curou os genes dos blends. Porém, aquele
artefato, assim como a extinção dos Elohim, também provocou a morte de Rachel,
o que fez um ressentido Kamuiya jogá-la para o espaço sideral após cumprir seu
propósito. Sem saber, Kamuiya acabou livrando o mundo de mais uma potencial
ameaça.
E mais tarde naquele dia, ele iria
cuidar de outra grande ameaça. . .
. . .

O jatinho de Kamuiya havia acabado de
aterrissar no aeroporto de San Sebastian. Enquanto ele desembarcava, um
sentimento estranho lhe ocorreu. Anos atrás, ele havia chegado naquela cidade
em um ônibus na rodoviária lotada, para dividir a casa com seu irmão, um
funcionário assalariado atolado em trabalho. . . E agora, Kamuiya desembarcava
de uma aeronave particular enquanto Kaliel se tornava o novo presidente daquela
empresa.
Conforme se dirigia ao local onde marcou
seu compromisso, a nostalgia do ruivo era substituída por um certo pesar. .
. Ele percebeu que o horizonte do
subúrbio de San Sebastian estava tomado por altos condomínios residenciais, que
foram construídos nos últimos 6 anos. Se por um lado era bom o desenvolvimento
prospero da cidade, por outro era triste ver que as simpáticas casinhas
suburbanas estavam sendo substituídas por aqueles prédios padronizados e
monocromáticos. . .
Não eram apenas a proliferação dos
condomínios que o incomodava. Locais que outrora guardavam lembranças felizes
já não existiam mais. O museu no parque municipal pegou fogo, o colégio onde
eram realizados eventos de cultura otaku foi demolido, casas de fliperama não existiam mais, a
pizzaria onde o garoto se reunia com seus amigos foi fechada. . .
Foi tudo tão rápido que mal deu pra
perceber. . .
O tempo passa, as cidades mudam, e as
pessoas também.
E agora, após anos separados, Kamuiya ia
se encontrar e ver o quanto seus amigos também tinham mudado.
. . .

Na ausência da pizzaria, agora o ponto
de encontro seria um restaurante chamado Billabong. Aquela era uma rede
gastronômica relativamente cara, na qual as pessoas iam em grupos para rachar a
conta. E naquele dia, uma mesa havia sido reservada para um certo grupo de 6
pessoas.
-Ohh! Kamuiya!!! Que saudade!! –
exclamou uma mulher de óculos e cabelos azuis
-Helena! – Kamuiya se sentou ao seu lado.
A médica foi a primeira a chegar. Ela já
estava na cidade desde o dia anterior, pois veio antecipadamente para matar a
saudade de sua irmã. Nos últimos anos, Helena esteve exercendo sua profissão no
Inferno do oeste. Aquela foi uma região severamente castigada por Ziz, o mais
cruel dos Eudaimon. O trabalho era muito
difícil, pois além das doenças, os humanos viviam em vilarejos pobres, com
pouco acesso a água e terra tão seca que impossibilitava o plantio. Mas a
presença de Helena ali era um raio de esperança, cuidado do bem estar de todos
com sua gentileza.
Enquanto ela falava empolgada sobre os
avanços da medicina que a cooperação entre as duas raças estava trazendo,
Kamuiya se lembrava da irmã da moça.
-“É verdade, depois que resolvermos isso
eu tenho que arrumar um tempo para agradecer novamente à Quione por me ajudar
naquela questão. . .” – pensava ele – “Eu devo tanto a ela!!’
Antes que Helena pudesse perceber que,
como sempre Kamuiya havia se perdido em pensamentos, um rapaz de cabelos verdes
vestindo roupas de Ashihara se aproximou da mesa.
-Yoro!!
O tigre do vento foi o terceiro a se
juntar à mesa. Se por um lado era difícil de acreditar que Frakie havia virado
uma dona de casa pacata, era mais difícil ainda acreditar que Yoro havia se
tornado um pai coruja. Enquanto esperava a chegada dos demais amigos, ele
orgulhosamente mostrava fotos de sua filha com Rin, a qual dedicava a treinar
nas artes do muay thai.
-Kyaa, que fofinha! Dá até vontade de
ter um filha também! – Helena estava encantada com as fotos da pequena
-Com 4 anos ela já consegue virar
querubim, dá pra acreditar??- A transformação da menina, seguindo a ‘genética’
felina da família, lembrava uma onça pintada. – Em pouco tempo eu e o Sam vamos
colocar nossas filhas pra lutar e ver quem é o melhor instrutor!!
-Você não tá criando uma filha, tá
criando um galo de briga!! – falou Kamuiya
-Heh – o olhar de Yoro se tornou triste
de repente – Eu só queria que meu avô pudesse vê-la se transformar antes de ter
falecido. . . – Byakki havia chegado ao fim de sua vida há dois anos atrás,
falecendo devido à idade avançada.
-Então você é o atual imperador de
Ashihara? – perguntou Helena, que, trabalhando nos vilarejos isolados do
inferno do oeste, pouco sabia sobre a situação atual do G7
-Que?? Tá brincando, eu seria um péssimo
governante. Quem lidera Ashihara. . . é
a Imperatriz Rin!!
A antiga motorista de Byakki e esposa de
Yoro havia se tornado a primeira líder humana do G7, abrindo um novo
precedentes para os direitos dos humanos naquela sociedade,
Quanto aos demais líderes mundiais. . .
Hans e Heinrich seguiram como
presidentes de Eliseon e Kanata, respectivamente, competindo entre si para ver
quem administrava melhor sua nação. Quem ganhou com aquela disputa foi o povo,
se beneficiando da gestão dos antigos Blitze 2. Já Wolfstag foi reunificada sob
a liderança de outro ex-blitze 2, Kurt von Stauffenberg, que com a ajuda de
Izumi Lan havia iniciado um novo capítulo na história daquele país tentando
deixar para trás o passado sombrio.
Corleone, por sua vez, passou a ser
governado por ninguém menos que Abel, instruído pelas Hoky Guard após seu
período de reclusão no castelo de Sant’ana para expurgar os genes demoníacos.
E Avalona se tornou uma monarquia
parlamentarista – Rafys ainda reinava como princesa, mas quem cuidava das
decisões do governo era o Parlamento – o que finalmente deu à garota a
liberdade que ela tanto queria para aproveitar a vida.
-Desculpe o atraso – a discussão sobre o
G7 foi interrompida com a chegada de um rapaz de cabelos loiros espetados –
Estava cuidando do castigo de certos alunos encrenqueiros...
-Sean!!
Sean havia se tornado o novo diretor do
CFDE, pois sua esposa Ingrid assumiu como presidente de San Mikael após a
aposentadoria de Heather. A antiga presidente se mudou para Pearl Haven, onde
abriu um restaurante vegetariano para competir com sua antiga rival, a mãe de
Kamuiya.
O antigo caçador de demônios não se
tornou diretor apenas para tapar o buraco deixado por Ingrid. Ele realmente
acreditava que aquele era o melhor caminho a seguir no mundo atual : treinar as
futuras gerações. Por isso, mesmo nessa época de tranquilidade, o CFDE
continuou com o conceito de sempre, com as brigas de veteranos e calouros pelo
poder. E como toda geração havia aqueles que se destacavam, nessa havia Danyael
e Alilat rivalizando pelo domínio da escola.
-Já que com sua paz você tirou meu
emprego de caçar demônios, Kamuiya, eu vou deixar as próximas gerações
preparadas para o caso da guerra voltar novamente.
-Bem. . .- respondeu o ruivo – Hoje
cuidaremos para que isso não aconteça. Afinal, nós vamos—
Kamuiya foi interrompido por uma garota
loira que o abraçou por trás.
-Haru!! Como é possível. . . – exclamou
Kamuiya – Que seus peitos tenham ficado ainda maiores??
-EEEK! Você não mudou nada!!- A moça empurrou sua cabeça contra a mesa
Com a chegada de Harukinou, a conversa
mudou de rumo novamente, pois ela, animada, começou a falar sobre suas
aventuras como OTAM.
Incrivelmente, o grupo não caçava mais
demônios, se sim, anjos terroristas! As criaturas estavam todas sob obediência
incondicional ao seu rei Kamuiya, mas os
anjos por outro lado, ainda ressentidos dos séculos de guerra e morte, formaram
alguns grupos supremacistas que eram contra o convívio com a outra raça.
Tecnicamente o blend ruivo era o líder
do grupo, mas era Haru quem se encarregava de comandar os diversos principados
espalhados pelo mundo. Como os atentados terroristas não eram tão frequentes
como os ataques de demônios, os membros podiam trilhar sua própria vida
enquanto lidavam com essas ameaças menores,
Ryu e Ashley agora estavam casados.
Phillip voltou para sua tribo em Kanata. Frankie, assim como Kamuiya, vivia
pacificamente em Nirvana. Louis finalmente se tornou um artista mundialmente
famoso... E havia mais um membro da OTAM que também seguiu o caminho das artes:
Steve, que formou a banda de rock AGRESSOUND.

O conjunto alcançou tremendo sucesso por
dois motivos. Um deles era o talento do principado com a guitarra, brindado com
relâmpagos e auroras que ele invocava nos shows. E o segundo motivo do sucesso
era o vocalista: ninguém menos que Retsu Kirigakure!
-EAAAAAARGH –, o ex-veterano do cfde
conseguia manter gritos guturais por muitos segundos e alcançar tonalidades
vocais impossíveis para pessoas normais. Sem contar que as músicas eram
compostas com a ajuda do poder temporal de Retsu – as melodias se tornavam
totalmente diferentes quando o ouvinte acelerasse ou desacelerasse a velocidade
de reprodução! No geral, todas as músicas da banda eram batidas pesadas e
violentas, exceto uma, de tom mais romântico, cujo vocal era performado pelo
próprio Steve, intitulada ‘Eu queria que ela me matasse’.
Em um de seus shows, enquanto cantava
tal música, ele caiu gritando de dor no chão como se tivesse sendo chicoteado
nas costas.
-Esse desgraçado – disse uma mulher
loira na plateia, que pela primeira vez na vida estava constrangida – Fez uma
música pra mim??
De volta ao restaurante. . .
O falatório hiperativo de Haru foi
interrompido pelo espanto ao ver a aparência atual da pessoa que havia acabado
de se aproximar da mesa. Finalmente chegou quem faltava para completar a turma.
-Que raios de visual é esse... Darak???
-Que saudade!! Best moment maaaaaan!
Todos acabaram rindo do cabelo afro e
bigode ostentados por Darak. Até mesmo Sean cobriu o rosto com as mãos para não
perder a pose.
-Eu gostei, ficou bem legal!! – Helena
foi a única que apoiou a mudança no visual do amigo.
-Haha é apenas um disfarce!! Afinal, eu
sou um agente secreto de Bab’el– Darak
removeu a peruca e bigode falsos, colocando um chapéu. – Afinal, tem um rei demônio
e pessoas casadas com líderes do G7 aqui, eu não poderia ser visto com vocês.
De fato, se fosse visto confraternizando
com aquelas pessoas, Darak seria acusado de conflito de interesses. A agência
por ele fundada deveria investigar e se opor a qualquer excesso do G7 para
evitar uma tirania ou conspiração como a arquitetada por Legião. Baseada em um
gigantesco porta-aviões de nome Noah, navegando nas proximidades do antigo país
Bab’el, a organização contava com olhos por todo o mundo, empregando anjos,
humanos e até mesmo demônios para garantir a normalidade e equilíbrio da
sociedade. Como tudo estava em paz nos últimos anos, Darak pode se dedicar a
investigar um caso de interesse pessoal.
-Quem são essas pessoas? – perguntou a
vice-diretora da agência, Ariel, quando o marido a levou em uma missão no
território de Ashihara, que os conduzir à residência de um velho casal na zona
rural. – Qual é o interesse da organização neles?
Darak não respondeu. Aqueles dois
senhores estavam igualmente confusos, afinal, eles nunca se envolveram com nada
perigoso. Porém, quando os agentes se aproximaram. . .
-Essa espada – disse a senhora, ao ver a
nodachi de Ariel mais de perto. – Não pode ser!!
-O-o que?? Se vocês reconhecem essa
espada, quer dizer que. . . – a garota olhou para Darak, deixando escapar uma
lágrima – Você descobriu quem são mais pais??!!
Separados pela clandestinidade do
projeto de Nehema que implantou os genes de Eudaimon na menina, aquela família
finalmente se reencontrou!!
-Foi uma investigação muito difícil, mas
valeu a pena. – Darak sorriu ao ver Ariel e seus pais abraçados em prantos de
felicidade. – Acho que eu devo encontrar os pais dos outros blends também!
Por falar neles. . .
Após se curarem dos genes demoníacos, os
mestiços também puderam seguir com a vida de forma plena.
Abel, como já citado, havia se tornado o
novo governante de Corleone, transferindo o centro de poder do castelo real para a grande basílica, virando uma espécie de líder religioso.
Isabel, ainda sentindo falta de Lúcio,
procurava novas emoções para preenche-la viajando pelo mundo de moto. Era
difícil dizer onde ela estava agora, se nas estepes geladas do inferno do
norte, nas montanhas do leste, nas savanas do oeste, nas florestas do sul, ou
na rodovia interestadual de algum pais do G7.
Samael havia se mudado com sua esposa
Lia para Vaikunta, a antiga capital de Behemoth às margens do rio sagrado, expandido a cidade para que
humanos vivessem em harmonia com os símios. O lutador não somente também treinava
sua filha, como também estudava com os demônios macacos as artes marciais há
muito esquecidas pela civilização, na tentativa de aprimorar o Muay Boran para
a perfeição máxima. Assim como Yoro, ele estava ansioso para fazer sua aprendiz
enfrentar do rival.
Por fim, Chester, ao obter seu
entendimento sobre a ‘verdadeira força’, ser a perseverança diante das
dificuldades, decidiu começar uma nova carreira do zero, tentando obter o
sucesso em uma atividade que nunca experimentou antes: a escrita. O ex-baladeiro
escreveu vários livros ao longo dos anos, inicialmente sendo ignorado pelas
editoras. Mas com o apoio de sua esposa, Vermillie, ele persistiu e conseguiu
publicar os livros Ling Lee, Dama Fatal e Scholar Soldiers, até que finalmente ser
capaz de emplacar um estrondoso sucesso chamado Sorcery Gardna!
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E naquela noite, seria a estreia mundial
do filme baseado em sua obra!
-Bem, creio que todos foram convidados
pra assistir a première do filme do Chester, então é melhor pedirmos logo a
comida. – disse Kamuiya – Afinal, ainda temos que resolver ‘aquilo’. . .
E então, após saborearem a famosa
costela com porções de batata e uma rodada de chop, o grupo estava pronto para
fazer o que deveria ser feito. Aquilo já havia sido adiado por tempo demais.
-Darak - após pagar a conta, os 6 amigos
saíram do estabelecimento e se dirigiram para baixo da sombra de um ponto de
ônibus. – Quando quiser.
-Ahura . . . – com um estalar de dedos,
o anjo das trevas ativou sua habilidade de teletransporte. – Mazda!
Em um piscar de olhos, o grupo foi
transportado para o meio das terras áridas do antigo reino de Ziz. Aquele era o
deserto mais distante de qualquer civilização, tão longe que ainda era noite. O
lugar ideal para minimizar os danos do que estava por vir.
-Seus paladinos estão aqui, senhor. – Os
demônios Itzanma e Rasputin aguardavam Kamuiya no local. – Seremos testemunhas.
-Certo. Mantenham-se afastados e tomem
muito cuidado pois não posso garantir sua segurança.
Aquela era a última questão a ser
resolvida por Kamuiya.
A última batalha que ele esperava lutar.
Por enquanto, o mundo estava em paz pois
ele era o Rei e os demônios o obedeciam. A menos que alguém devorasse sua
carne, novos Eudaimons não surgiriam para desafiar seu domínio. Mas e quando
Kamuiya morresse?
O que iria garantir que os demônios nunca
mais começariam outra guerra?
A única resposta que Kamuiya conseguiu
encontrar, era mostrar aos demônios que eles não tinham a menor chance de
derrotar os anjos. Que mesmo com alguém mais forte do que Satanel os
comandando, se eles começassem um ataque, seriam totalmente dizimados. Que os
arcanjos eram mais fortes até mesmo do que seu Rei.
Para que a paz pudesse prevalecer, o Rei
Demônio Kamuiya deveria ser derrotado.
E quem melhor para superá-lo em seu auge
de poder absoluto... Do que seus melhores amigos?
- Tch, eu não vou mentir, até estava com
vontade de começar lutando devagar com
minha capoeira em homenagem aos velhos tempos. Mas se não nos apressarmos,
vamos perder a estreia do filme. – o ruivo começou a elevar sua energia
exponencialmente - Eu espero que vocês
tenham ficado mais fortes nesses anos. . .
Porque eu ainda não consigo controlar meu arcanjo!!
Assim que Kamuiya liberou sua transformação
branca, seu rival Darak, que também possuía aquele nível há 6 anos, também
mudou para o modo supremo.
O anjo das trevas, empolgado enquanto
lembrava de suas lutas inacabadas com o rival, foi o primeiro a avançar,
utilizando sem piedade seu golpe mais
forte.
-ORMAZD!!

Uma quantidade gigantesca de sombras se
reuniu ao redor do garoto, formando a silhueta de um dragão negro. O golpe
acertou Kamuiya em cheio, e o arrastou por quilômetros pulverizando o solo
árido do deserto. Darak continuou
avançando e liberando cada gota de energia que esteve guardando os
últimos anos. . . Até que sentiu a mão
de Kamuiya segurando seu punho.

Com uma gargalhada, o arcanjo branco
começou a absorver toda aquela energia de sombras, freando o ataque do rival
enquanto a silhueta do dragão se dissipava.
-B-bad moment!! – Darak envolveu seus
antebraços com sombras e protegeu a cabeça – ENKIDU!!
Mesmo aparando o contra-ataque de
Kamuiya, o soco do rei demônio arremessou o arcanjo negro a quilômetros de
distância.
Apesar de ambos estarem no último nível
de transformação de um anjo, Kamuiya era muito mais poderoso do que qualquer
outro arcanjo que já existiu. Afinal, o demônio Bael herdou a Dunamis de seu
pai Satanel na forma do arque... Assim como Lucio e Rafys constataram, ele era
capaz de romper os limites naturais e evoluir para Eudaimon por conta própria...
E Kamuiya, que teve seu DNA misturado com o da criatura, também tinha uma
fração do ‘Poder de Deus’!
Mas é claro...Que ele não era
invencível.
Instantes após golpear Darak, o arcanjo
demoníaco teve o braço decepado!
Instintivamente, ele se afastou e procurou
quem havia o atacado.
-Você consegue absorver energia,
então...- proclamou Sean na sua própria forma arcanjo –O segredo pra vencer é
usar golpes físicos!
Na transformação suprema do anjo do
gelo, ele tinha uma aureola que lembrava o brasão de um clã samurai, e o corpo
revestido por uma reluzente armadura, não feita pela Weapon VI, mas sim pelo
próprio ar congelado pela Crio Edge! Com uma temperatura próxima do zero
absoluto, Sean possuía uma defesa impenetrável, e as lâminas que ele usou para
cortar o braço de Kamuiya eram suas
próprias asas! Mais resistentes do que diamante, não havia nada no universo que
elas não podiam cortar!!
Contudo. . .
Antes que Sean pudesse usar outro
ataque, o braço de Kamuiya se regenerou!
-Não brinca! Ele também pode usar o
Nephelim nessa forma??
Sean teria sido atingido com a guarda
baixa, se outro vulto não tivesse jogado Kamuiya para longe.
Era a vez de Yoro monstrar sua
transformação máxima.
Já que podia simplesmente caminhar no
ar, as asas de Yoro nessa forma se transformaram em dois pares de braços extras
para massacrar seus inimigos!! Mesmo com uma aparência similar, aquela forma
tinha muito mais poder do que o arcanjo de seu avô Byakki.
A fera do vento seguiu golpeando Kamuiya
com milhares de socos em uma fração de segundos. O estrondo sônico provocado
por aqueles ataques seria capaz de quebrar janelas de uma cidade inteira a
dezenas de quilômetros dali.
-Eu vou estraçalhar seus ossos mais
rápido do que você poderia regenerar!!!

Kamuiya precisava parar aqueles golpes,
mas a velocidade supersônica dos 6 braços de Yoro e era mais do que ele podia
líder. Então. . .
Usando o Nephelim, mais 4 braços
surgiram nas costas de Kamuiya segurando os punhos do adversário!
-O QUE?? ELE PODE USAR O NEPHELIM PARA
CRESCER MEMBROS EXTRAS??
Realmente, a habilidade máxima de
Kamuiya não se limitava á regeneração. Aquele era o poder da criação. A besta
branca teria arrancado os braços de Yoro, se o mesmo não tivesse o golpeado com
uma joelhada no crânio abrindo uma brecha para pular para trás.
Diante daquele poder, até mesmo o
implacável Yoro recuou para pensar em uma estratégia.
E foi aí que a sombra de Kamuiya
simplesmente braços que o seguraram contra o chão.
- AHRIMAN! – Darak, que voltou ao campo
de batalha, usou sua técnica para imobilizar o oponente. – Não vou conseguir
segurá-lo por muito tempo, ataquem com tudo o que vocês tem!!
-CERTO!!
- Yoro e Sean levantaram voo. Eles precisavam metralhar Kamuiya com
milhares de golpes antes que ele se regenerasse, com uma quantidade tão massiva
de energia que ele não pudesse absorver.
-CRIO EDGE MILLION BLADES – Desmanchando
suas asas em milhares de penas afiadas, Sean criou uma chuva cortante sobre o
arcanjo.

- AFTERBURNER: TERMINAL VELOCITY!! –
Deslocando no limite máximo da velocidade que a atmosfera permitia, Yoro
desferiu outros milhares de Wind Punches com seus 6 braços.

Por cerca de um minuto, os golpes
seguiram esmagando o arcanjo demoníaco abrindo crateras até atingir a placa
tectônica abaixo da superfície.
Aquela torrente incessante de ataque realmente
continha energia demais para Kamuiya absorver. . .
Pelo menos com o corpo de um anjo

Darak, Yoro e Sean foram momentaneamente
cegados pela claridade que emanou do adversário. Uma quantidade monstruosa de
arque foi expelida, plasmando a figura gigantesco de Bael no que deveria ser
sua forma Eudaimon. Mas dessa vez, não era uma simples emanação de energia como
na luta contra Frankie. . . Com a
técnica do Nephelim, Kamuiya realmente criou um corpo de Eudaimon!!!
-T-tá de sacanagem. . . – Os 3 arcanjos
já estavam com a energia no limite.
-Não se desesperem! – disse uma voz
feminina – Ele recorreu essa forma para esconder o corpo verdadeiro! Significa
que ele ainda não conseguiu se regenerar da sua sequência de ataques! Nós
podemos derrotar ele!!
-Eu sei Helena!! Mas...De onde vamos tirar energia para
enfrentar isso??
-É para lidar com Eudaimons – a
meganekko finalmente revelou seu trunfo – Que meu arcanjo foi criado.
-O-o que é isso??
As transformação de Helena e Quione por
muito tempo intrigaram os professores e todos aqueles que as vislumbraram.
Quione era capaz de invocar uma sepultura de energia para prender o adversário
no mundo de sua própria mente, enquanto Helena era capaz de cicatrizar suas
feridas ao se transformar, ficando com uma auréola elétrica similar a de um
arcanjo.
A verdade por trás daquilo somente foi
descoberta quando a Bab’el estava verificando os arquivos dos líderes
anteriores do G7.
San Mikael e Wolfstag não foram os
únicos países que pesquisaram formas de criar anjos mais fortes após a batalha
contra Satanel. Enquanto os primeiros tentaram mesclar o DNA de anjos e
demônios para obter energia ilimitada e demônios controláveis no Projeto Ars
Goetia, a nação dos pais de Helena investiu no estudo das transformações. Assim
como Rasiel e Tesla fizeram, o casal de médicos aplicou o resultado de seus
estudos nas próprias filhas no Projeto Dominion. A pesquisa foi um sucesso
absoluto, mas quando Corleone sofreu o golpe de estado de Vicenzo, o casal
destruiu todos os registros e fugiu com suas filhas para que elas não fossem
usadas como armas de guerra.
E agora, Helena ao liberar o modo
arcanjo, se tornou aquilo que seus pais pretendiam criar:
Uma arma anti-Eudaimon
As asas da garota a envolveram se
tornando energia pura e criaram uma forma tão gigantesca quanto o dragão a sua
frente. A mera presença daquele poder no
planeta causava interferência em todos os aparelhos elétricos ao redor do
globo.
As duas figuras poderosas começaram a
trocar golpes. O ‘Eudaimon’ Bael mal conseguia reagir aos consecutivos socos relâmpagos
de Helena.

Mas é claro que aquele poder absurdo consumia energia elemental
demais e não podia ser mantido por muito tempo. O dragão não conseguia reagir
aos ataques, mas se recusava a cair. . .
Helena não podia dar a chance de deixa-lo se regenerar, então decidiu
reunir toda a energia restante em um último golpe concentrado.
- EXCOMMUNICATION!!
Aquele soco, se desferido contra o chão,
certamente tiraria o planeta de sua órbita. A forma Eudaimon de Kamuiya se
rachou como um cristal, tornando-se transparente e revelando o corpo arcanjo em
seu interior.
-Agora!! Ele está vulnerável tentando regenarar
sua forma gigante! – Helena, mesmo sem mais nenhum poder de ataque, usava as últimas
energias para permanecer transformada e atrair a atenção de Kamuiya. – Ele não
vai conseguir absorver a energia do próximo golpe!!
E para o ataque final. . . Finalmente chegou a vez de Haru brilhar.
Era claro, que se os anjos e demônios
podiam alcançar um nível supremo de transformação dos Arcanjos e Archdaimons,
os principados também deveriam possuir uma nova forma. Não foi Frankie, que
abandonou as lutas, mas sim Harukinou a primeira a alcançar... A forma Ophanim.
Apesar de seu corpo não mudar muito da
forma potestade, sua aureola cresceu envolvendo o corpo da moça e se
solidificando em fótons como uma coroa solar. A luz que emanava de Haru fazia
parecer que a noite havia virado dia, como se houvesse um segundo sol.
Agora a vitória naquela luta dependia
dela. Ela tinha menos de um segundo para usar toda sua força num golpe decisivo
mirando no corpo arcanjo de Kamuiya antes que o corpo Eudaimon se regenerasse.
-MORNING GLORY!!!
Conjurando o selo do sacramentum, a Ophanim
atirou uma rajada de luz com poder de destruição equivalente a uma erupção de massa solar. De fato, Kamuiya não conseguia se regenerar e absorver energia ao mesmo
tempo...
E graças aquela brecha, o arcanjo rei
dos demônios foi derrotado!!
. . .
-Cacete. Vocês pegaram pesado mesmo. –
Kamuiya apesar de ter ficado seriamente ferido, se regenerou com o Nephelim.
-N-nem me fale! – Os amigos também
estavam exaustos após aquela batalha.
-Acabamos chegando em cima da hora. . .
– a energia de todos havia se exaurido ao ponto que foi preciso esperar quase
uma hora para que Darak pudesse teletransportá-los de volta para San Sebastian.
Agora faltava apenas 40 minutos para a estreia de Sorcery Gardna – É melhor
chamarmos um taxi para nos levar ao cinema!

-Vão na frente. Eu deixei os ingressos
com a Frankie! – Kamuiya correu em direção à praia -Vejo vocês mais tarde!!
-Kamuiya... você demorou... - chegando
no píer de Santa Gloria, Kamuiya encontrou Frankie, que o esperava com roupas de gala condizentes com a situação.
-Ué? – estranhou o garoto, olhando ao
redor como se procurasse mais alguém ... – Cadê ela?
-Ela cansou de esperar e foi ver o
por-do-sol na beirada.
-Droga, sempre me causando problemas! –
Kamuiya correu em direção a uma moça que se mantinha distante, do outro lado do
píer. Ao ouvir o som de passos, ela se virou com seu típico olhar de
agressividade.
-Você tá atrasado!! – reclamou a garota
de cabelos brancos – Lamentável!!
.
. .
-6 anos atrás –
-Você tem certeza que vai fazer isso? –
perguntou a Royal Guard Megan á Kamuiya -Tipo...Não seria contra as leis da
natureza?
-Contra as leis da natureza é colocar
DNA de um demônio no corpo de uma garotinha. – disse Kamuiya. – Ela não tem
culpa de nada. Eu devo isso a ela...
Algumas semanas após a vitória contra
Lúcio, ainda abalado com todas as perdas, Kamuiya teve uma epifania. Ele não
podia reviver os mortos... Exceto uma pessoa...Que não estava tecnicamente
morta graças ao poder de seus elementos combinados.
Para isso, ele precisava da ajuda de
Quione, e das Royal Guards Megan e Roxanne.
Guiando as garotas através dos laboratórios de Hill 400, ainda
infestados de Augens que ficaram fora de controle após a morte de Gunz, Kamuiya
alcançou a sala onde fora criado Schneider.
-Você está pronto? – ao sinal positivo
de Kamuiya, as meninas liberaram sua comunhão – MORGANA FAIRY.
Mergulhando no próprio mundo do
subconsciente, Kamuiya explorou as camadas mais profundas de sua mente,
enfrentando hordas de monstros que eram a manifestação de suas memórias e
traumas distorcidos. O que ele buscava estava muito fundo, enterrado entre suas
células. Ele regurgitou sua carcaça após devorá-lo, mas algo deve ter sido
digerido e absorvido pelo corpo. . . Em
algum lugar deveria haver um resquício da energia. . . Do antigo Fuhrer
Bergstein!
-Aí está!! Me entregue o que eu
preciso!!
Após uma árdua travessia pela própria
mente, Kamuiya ficou cara a cara com a manifestação de um de seus piores
inimigos. Havia muito pouco DNA de Bergstein circulando no organismo de
Kamuiya, mas graças á técnica Placebo de Quione potencializando a habilidade,
Roxanne conseguiu até mesmo ler as memórias contidas nos genes daquele homem...
Mais especificamente... A memória dos
projetos de como se fabricar o mestiço perfeito.
-E-essa foi a parte mais difícil –
acordando de sua ‘jornada’, Kamuiya estava esgotado, porém mais determinado do
que nunca. – Agora é com você Quione.
Estudando aquelas anotações ‘resgatadas’
da memória de Bergstein, Quione reconstruiu os aparelhos de Gunz e iniciou os
procedimentos daquele projeto.
- Estaria eu alcançando o nível máximo
da medicina... – a loira deu um sorriso sombrio. – Ao trazer alguém de volta
dos mortos?
Clonar um anjo era fácil, mas criar um
ser vivo do zero era outra história.
Apenas com anos de estudo, os 3 iluminados conseguiram alcançar o
processo de produzir vida em laboratório.
Utilizando o arque que Kamuiya como matéria prima e o material genético da
irmã gêmea daquela pessoa como referência, Quione conseguiu reconstruir com
perfeição aquele corpo. Mas, sem os augens de Gunz para animá-lo, ele era
apenas uma casca vazia...
A menos que a própria alma daquela moça
voltasse para habitar corpo!
-Seja bem vinda de volta – Kamuiya,
utilizando o arque para imitar nada menos que o Elemento Psiqué, conjurou de
volta aquela alma, que anteriormente havia se tornado energia e absorvida por
ele! – Rachel!!
.
. .
- Anda logo!! O Chester vai ficar
chateado se perdemos o começo do filme!
-Espera um minuto!! Esses lugares
marcados... – Rachel tomou os ingressos da mão da morena... – POR QUE É A
FRANKIE QUE TÁ DO LADO DO KAMUIYA?
-Se você não tivesse acordado tão tarde
hoje, poderia ter escolhido seu próprio lugar.
- NÃO INTERESSA! EU QUE VOU SENTAR DO
LADO DO KAMUIYA!! – Rachel conjurou suas almas, se preparando para o ataque.
-Kamuiya! Ela está me forçando a me
defender! -Frankie também entrou em postura de combate.
Antes que o ruivo pudesse dizer qualquer
coisa, suas duas companheiras avançaram uma contra a outra. Kamuiya precisou
usar seu chute de terra para conseguir separar a briga antes que elas
destruíssem todo aquele quarteirão com o encontro de seus golpes.
-CALMA GAROTAS! EU SENTO NO MEIO!

-Saco...Tudo que eu queria era viver em
paz... – Kamuiya resmungou, apesar de no fundo nunca ter estado tão feliz – Mas
vivendo com essas duas minha luta não vai acabar nunca!!!
-DEVIL
FROM HEAVEN: EPÍLOGO
-FIM































